Damião de Molokai,
Bem-aventurado (1840-1889).
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A
vida de Damião começou a mudar quando completou vinte e um anos de idade. Um
bispo do Havaí, arquipélago do Pacífico, estava em Paris, onde ministrava
algumas palestras e pretendia conseguir missionários para o local. Ele expunha
os problemas daquela região e, especialmente, dos doentes de lepra, que eram exilados
e abandonados numa ilha chamada Molokai, por determinação do governo.
Damião
logo se interessou e se colocou à disposição para ir como missionário à ilha.
Alguns fatos antecederam a sua ida. Uma epidemia de febre tifóide atingiu o
colégio e seu irmão caiu doente. Damião ainda não era sacerdote, mas estava
disposto a insistir que o aceitassem na missão rumo a Molokai. Escreveu uma
carta ao superior da Ordem do Sagrado Coração, que, inspirado por Deus,
permitiu a sua partida. Assim, em 1863 Damião embarcava para o Havaí, após ser
ordenado sacerdote.
Chegando
ao arquipélago, Damião logo se colocou a par da situação. A região recebera
imigrantes chineses e com eles a lepra. Em 1865, temendo a disseminação da
doença, o governo local decidiu isolar os doentes na ilha de Molokai. Nessa
ilha existia uma península cujo acesso era impossível, exceto pelo mar. Assim,
aquela península, chamada Kalauapa, tornou-se a prisão dos leprosos.
Para
lá se dirigiu Damião, junto de três missionários que iriam revezar os cuidados
com os leprosos. Os leprosos não tinham como trabalhar, roubavam-se entre si e
matavam-se por um punhado de arroz. Damião sabia que ficaria ali para sempre,
pois grande era o seu coração.
Naquele
local abandonado, o padre começou a trabalhar. O primeiro passo foi recuperar o
cemitério e enterrar os mortos. Com freqüência ia à capital, comprar faixas,
remédios, lençóis e roupas para todos. Nesse meio tempo, escrevia para o jornal
local, contando os terrores da ilha de Molokai. Essas notícias se espalharam e
abalaram o mundo, todo tipo de ajuda humanitária começou a surgir. Um médico
que contraíra a lepra ao cuidar dos doentes ouviu falar de Damião e viajou para
a ilha a fim de ajudar.
No
tempo que passou na ilha, Damião construiu uma igrejinha de alvenaria, onde
passou a celebrar as missas. Também construiu um pequeno hospital, onde, ele e
o médico, cuidavam dos doentes mais graves. Dois aquedutos completavam a
estrutura sanitária tão necessária à vida daquele povoado. Porém a obra de
Damião abrangeu algo mais do que a melhoria física do local, ele trouxe nova
esperança e alívio para os doentes. Já era chamado apóstolo dos leprosos.
Numa
noite de 1885, Damião colocou o pé esquerdo numa bacia com água muito quente.
Percebeu que tinha contraído a lepra, pois não sentiu dor alguma. Havia passado
cerca de dez anos desde que ele chegou à ilha e, milagrosamente, não havia
contraído a doença até então. Com o passar do tempo, a doença o tomou por
inteiro.
O
doutor já havia morrido, assim como muitos dos amigos, quando, em 15 de abril
de 1889, padre Damião de Veuster morreu. Em 1936, seu corpo foi transladado
para a Bélgica, onde recebeu os solenes funerais de Estado. Em 1995, padre Damião
de Molokai foi beatificado pelo papa João Paulo II e sua festa, designada para
o dia 10 de maio.
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